Olá,
Não perguntes porquê, porque nem eu sei.
Talvez te escreva mais uma vez para te explicar uma coisa: o amor dá-nos uma chave, não a da nossa casa ou a do destino... nem aquela que nos dá entrada à sua própria.
Essa chave serve para experimentar em cada porta, até uma se abrir. Estranho que a tua se abriu sem eu ter rodado a chave... ainda espero que isso seja um sinal de que possa abrir outra; a porta certa.
Entrei, não dando sinal da minha presença e observei-te: tão inocente, um sorriso com o brilho do Sol fazia-se nos teus lábios, uma melodia saia tão suave da tua boca. Apaixonei-me no momento em que esses olhos com raios verdes me tocaram, sem mesmo me terem visto... caí nessa teia que foi conhecer-te. Ainda voo, sem saber quando vou encontrar o chão neste labirinto imenso cheio de rosas brancas.
Mergulhei na escuridão, à espera que encontrasses a chama que me acendesse o espírito. Deixei-te crescer, gritar por pensares que ninguém te ligava, tratar o teu corpo como bem querias, dar o primeiro beijo... sim, custou assistir ao como gostaste dos lábios que tocavas.
Contudo, um dia chegaste a casa a chorar e recolhi-te nos meus braços... as lágrimas caiam no chão pois não as podia secar: desesperei por não te conseguir acalmar mas, como se te estivesses a aperceber disso, paraste de soluçar e olhaste diretamente nos meus olhos, sorrindo e acendendo finalmente a luz que todo o mundo precisava.
Hoje abandono essa casa em que me pensei escondida de todo o sofrimento, sem mesmo saber que esse lá morava. Agora, tento fechar mais uma vez a porta que não demorei a abrir mas lá te enches novamente de mágoa e volto para te abraçar. Talvez seja esta a minha maldição. Talvez o amor não me deixe procurar a porta que a chave está destinada a abrir. Há tantas possibilidades... mas tão pouca vontade de ir em busca de outra vida sem ser esta: viver pelo teu respirar, existir pelas tuas opções, querer-te sem querer e amar-te de olhos fechados.

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