Eu gosto de ti. Não sei quantas vezes já to disse, mas queria que entendesses: eu gosto de ti. Gosto tanto como nunca gostei nem nunca vou deixar de gostar. És a queimadura do cigarro que eu não deixei de fumar. És a cicatriz de quando parti o vidro da porta de entrada, pela qual ainda entro.
Eu gosto de ti. Vou gostar mesmo que não falemos, por isso, ouve bem desta vez: eu gosto de ti. Fazes parte de mim como o escuro sem o qual não consigo dormir. Fazes parte de mim, és igual ao meu medo de morrer: o meu coração acelera, mas depois de uma explosão de energia, duas respirações fundas, o batimento recupera o seu compasso.
Como disse, gosto de ti, mesmo no silêncio, mesmo no ruído da melga que não me larga o ouvido, mesmo que me esqueças, mesmo que não me reconheças quando o meu cabelo estiver num sentido negativo do que hoje é. Eu gosto de ti. Não num sentido de amor eterno. No sentido do já, do imediatamente, do neste preciso segundo. Só quero que memorizes o som da minha voz a dizê-lo: eu gosto de ti.
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