11.7.15

Ando a sonhar com pessoas estranhas - não desconhecidas -, que não vejo e não preciso de ver.
Mas se lhes dou um beijo, que significado terá este para a minha consciência?
A dúvida abastece os lagos e dos rios nascem cisnes, vão pela corrente abaixo e comentam: porque é que há tantos olhos em cima de nós?
Estamos perdidos nas pontes contruidas por ferros - dificeis de dobrar, mas com um valor de capacidade térmica mássica imensamente pequeno -, porque não nos encontramos novamente?
Novamente: porque nos perdemos uma singular vez... desde então que não te sei e, quando te preciso, não te saboreio. Novamente: porque ao te perder, criei a vontade de não o repetir... desde então que te procuro e, por vezes, te sinto a presença ligeira, mas essa não me chega e nunca chego a ti.
Acredito que te amo enquanto sonho beijar outras bocas, pois, ao acordar, tenho medo de, no fim do finalmente, não ter merecido sequer o primeiro sorriso que me ofereceste.
Podias ter oferecido flores, chocolates ou, até eventualmente, um anel, com o qual me obrigarias a andar diariamente, qual placa com a palavra "reservado", contudo, preferiste oferecer-me calor.
Diz-me, mesmo neste mês de julho, se tu não sentes frio. Diz-me se não sentes a solidão nas mãos, se as minhas não estão aí para fazer as tuas suar. E diz-me, então, se a vista da tua ponte é bonita.
Quero cruzar-me contigo, novamente, neste mar de gente. Quero ouvir-te falar de assuntos me aborrecidos e encorajar-te a ser feliz. Quero que cales todos os maus sonhos que tenho porque ainda não cheguei a ti. Quero que me chegues. Quero que me amarres a ti, me enroles em ti e não deixes mais este fio tão frágil, que representa a ligação entre as nossas almas, se tornar tão longo. Fá-lo tal curto possível que eu só sinta o teu cheiro, só ouça o teu corpo reclamar a fome.
Se me quiseres, como eu te quero, a espera será breve e, entretanto, até pode ser que as vistas das pontes, onde hoje caminhamos, sejam a mesma.