Ora bem, ver aquela luz novamente acesa ainda me faz confusão. Sinceramente já a acendi muitas demasiadas vezes em sonhos, quando ainda pensei haver a possibilidade de voltares. Voltares. Seres outra vez o meu amor do outro lado da parede. Mas não, se naquela altura tinha uma pequena esperança, hoje riu-me de ter pensado que sequer tinhas ponderado voltar. Voltares.
Lembro-me das vezes que te escrevi, da primeira carta, da tua cara com o creme anti-borbulhas, de quase me ignorares para que a minha atenção fosse tua. Ainda aqui está dentro da minha cabeça a primeira vez que te vi, que os nossos olhos se encontraram. Ainda hoje me pergunto porque é que tiveste de olhar para trás(?).
Lembro-me que havia um pequeno buraco na porta que ligava as nossas casas, pelo qual eu olhava à noite para te procurar, dizer-te olá sem que me ouvisses.
Eu tinha 12 anos, a mesma idade que o meu primo. Ele está supostamente apaixonado, eu digo-lhe que ele ainda não tem idade para isso. Tu conheceste-o, é possível que ele já nem se lembre de ti. Jogamos muitas vezes à bola. Também me lembro das vezes que te roubei uns beijos, tentando que ele não visse. O que eu quero dizer é que eu não acho que o meu primo ame como eu te amei, julgo que pouca gente há de amar como eu te amei.
Eu tinha 12, hoje tenho 17. Vai fazer 5 anos que te vi, te falei, te conheci e me prendi. Está também quase a chegar a data que festejará os 3 anos que já passaram desde que te foste embora. Já não choro, já não te amo, já me libertei - talvez não totalmente, talvez nunca mais vá ser livre novamente. Mas Wendell, acredita, ver a luz daquela casa acesa, em que tanto vivemos, sem que tu lá estejas... aperta-me um pouco o coração.
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