12.12.12

verde metálico

As tuas mãos frias enrolaram-me no gelo da manhã; justificaste assim porque é que não sentias sequer os dedos, eu não precisei de ouvir isso, eu não queria ouvir isso. Cortei a tua respiração pesada, o bafo quente que saía da tua boca; prendi-te a língua e calámos o silêncio. Abri os olhos, afastei e tu, qual anjo de pele negra, perguntaste pelas minhas mãos, posei-as nas palmas das tuas e deixei-me rebolar pelo teu corpo, rodopiar no ar como fada e acabar encostada ao teu peito de ferro... acolheste-me e eu amei-te como só o corpo sabe amar outro; a mente consome, a alma respira e o físico reproduz.
Levantei a face e encontrei a tua, procurei o conforto da tua pele. Eu não sei se és tu, eu ou mesmo a força do invisível que faz a existência decorrer de um certo modo... contudo, se eu, tu, o mundo não estivéssemos a girar devagar, sem reparar; o que seríamos nós? Algo que balanceia repetidamente. E nós fazemos parte de um relógio...! Mas este não tem o prazer de poder parar enquanto corrermos atrás dele.

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