Acordei pensando e pensando me deitei novamente.
Os dedos dos pés tão quente e dormentes
Deixavam a impressão que me perdera
No teu mar salgado, comendo uma pêra.
O caroço permaneceu ondulando
Nas tuas ondas inconstantes, procurando
E percebendo que nada se fica pelo
Sensato e verdadeiro, mas pelo Belo.
Belas são mesmo as horas passadas
E deitadas foras, assanhadas
Que no vento se deitam, se apaixonam
Dizendo que nem a fé perdoam.
Acordei chorando e chorando me voltei a deitar.
Perguntando silenciosamente, quando é que ia acabar
O episódio de terror dos meus fantasmas
Acusando-se e condenando-se entre si,
Deixando a própria morte pasma.

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