10.5.12

o rio


Entre aspas deixa-me meter o teu nome junto do meu, como num poema. Será que me irias permitir imaginar-te mais uma vez a querer-me junto do teu peito, deitada no teu colo e a mexer no teu cabelo? 
Sim, podes acreditar que canto para ti todo o dia. Consegues perceber porquê: escolho as músicas para me lembrar de ti, magoar-me a pensar em ti. Oh, ri-te! Que posso eu desejar mais que não o teu riso? Mas mete-nos entre aspas, pois entre aspas podemos andar juntos... entre aspas parecemos mais bonitos e eu mais feliz por te ter comigo, sempre a acompanhar o meu nome.
Pediria um rio mas não um qualquer. Uma nascente apenas seria suficiente para abastecer este meu coração desenfreado, procurando por mais quando já transborda de tanto pranto. E eu não choro lágrimas, choro palavras. Os meus berros silenciosos não chegam aos teus ouvidos, abafo-os com a melodia que corre no tempo, saltando de ponte em ponte.
Contudo, esse rio já nos separa e nos junta. Já nos fez sentir a seca e a humidade tocando nos lugares mais incertos, adiando a descida para o mar. Hoje em vez de sim, digo-te que não. Não, hoje queria largar as palavras nesse largo oceano, por-te no barco da verdade mas sabes? Entre aspas, os nossos nomes suariam a perfeição.

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